
Motor, ação! O cinema é um setor que sempre nos faz sonhar: trabalhar em uma profissão cativante, viajar pelo mundo, encontrar estrelas… Mas o reverso do palco é bem diferente. As condições de trabalho e de vida são duras e aleatórias, o reconhecimento dos pares é muito raro, o mercado de trabalho está saturado, os orçamentos, os salários, as equipes e os tempos de filmagem são reduzidos ao mínimo… O cinema continua sendo uma máquina financeira e industrial cujo principal objetivo é ganhar dinheiro. Este guia tenta apresentar as diferentes profissões desse setor rigoroso e implacável, mas também mostrar as realidades desse mundo através de depoimentos de profissionais ativos. Trabalhar no cinema, sim, mas como? Todos os profissionais dizem o seguinte: é tão difícil entrar quanto fazer um bom trabalho e mantê-lo.
Aqui estão dez perguntas (e suas respostas) para ajudá-lo a ver mais claro.
Leia também : Como renovar uma casa antiga?
1 — Você foi feito para o cinema?
Um filme é uma obra coletiva e uma aventura humana que requer muitas técnicas e artísticas. O know-how é tão importante quanto o talento, e o talento não perdoa tudo. Os artistas têm uma sensibilidade exacerbada e este é um campo onde o contato humano é primordial. A humildade é importante: você é apenas uma engrenagem da máquina e nada é garantido. A cada filme, você deve se adaptar a uma nova equipe, sabendo que, em um set, todos dependem de todos. As equipes estão cada vez menores, você deve ser versátil para ajudar em todos os níveis. As horas são muito variáveis (você trabalhará durante o dia, mas também pode trabalhar à noite ou nos fins de semana) e as horas extras são numerosas. O trabalho adicional, a fadiga, a pressão no set são todos fatores que afetam a gestão e a vida pessoal muitas vezes sofre.
A segurança no emprego não existe e a ansiedade está sempre presente. A busca por emprego é a principal atividade do intermitente que não está em filmagem. Pode durar uma ligação telefônica ou vários meses. Os projetos são finalizados e cancelados em segundos.
Leia também : Cigarro eletrônico: como ajustá-lo?
2 — Quais são as condições de trabalho?
Uma vida cotidiana emocionante, mas difícil. Durante as filmagens, os dias de trabalho são muito irregulares. No papel, não ultrapassam oito horas. Na verdade, raramente duram menos de dez horas. Algumas profissões, como a de produção, são as primeiras a preparar o set e as últimas a desmontá-lo. Passamos horas montando uma cena que levará apenas alguns minutos para ser filmada. Os momentos de espera são tão frequentes quanto os momentos de pico. A pressão associada ao tempo e ao dinheiro é constante.
Em Paris, um filme é filmado de segunda a sexta-feira, nas províncias, de segunda a sábado. Longe da capital, a vida em hotel é essencial e, por isso, a distância da família é frequente. Ao sair das filmagens, os intermitentes às vezes enfrentam longos períodos de desemprego enquanto aguardam o telefone tocar. E é impossível prever qualquer coisa em sua vida pessoal porque um compromisso pode surgir a qualquer momento.
3 — Qual é o status dos trabalhadores do cinema?
Eles têm status de intermitentes. Eles são empregados (contratos de prazo determinado) de uma empresa de produção e são pagos por projeto ou por semana. Entre dois contratos, recebem subsídios de desemprego por dez meses, desde que tenham trabalhado quinhentas e sete horas nos últimos dez meses. Alguns trabalhadores são empregados permanentes (contrato por tempo indeterminado): em estúdios, auditórios, empresas de produção, laboratórios… Outros são freelancers, como roteiristas, pagos por direitos autorais. O cinema é regido pela convenção coletiva para a produção cinematográfica.
4 — É possível viver do cinema?
O salário de uma semana para um intermitente do espetáculo é às vezes equivalente ao de um mês para outras profissões: 824€ para uma costureira, 1.202€ para um roteirista, 1.429€ para um editor-chefe… Mas eles só ganham essa quantia quando estão trabalhando. A grande maioria dos artistas trabalha menos de 50 dias por ano. Menos de setenta e cinco dias para os técnicos. Reduzidos a uma renda anual, esses salários se tornam muito relativos. Os salários são revisados a cada semestre pela Câmara Sindical dos produtores e exportadores de filmes franceses e pelos sindicatos correspondentes. As produções estão cada vez menos em conformidade com essas escalas, mas a superabundância de mão de obra significa que sempre encontram intermitentes que aceitam ser menos remunerados para trabalhar.
A cada novo contrato, os intermitentes negociam para considerar suas horas extras, horas de preparação e desmontagem, despesas de transporte… O modo atual é sobre o pacote que inclui esses regulamentos. Alguns técnicos (assistentes de produção, sonoplastas, eletricistas, maquinistas) recebem um bônus de ferramentas negociado no momento da assinatura do contrato. Alguns intermitentes aceitam a participação no filme como compensação por um salário baixo. Sua renda depende, então, dos lucros do filme.
5 — É possível fazer carreira no cinema?
Embora o cinema seja um setor que não é regido por regras específicas, ele continua sendo tradicionalmente altamente hierárquico. Uma carreira geralmente é construída passo a passo, especialmente para as profissões técnicas. Começamos como estagiário ou assistente simples, depois nos tornamos segundo assistente, primeiro assistente e, finalmente, chefe de equipe. A transição de um nível para outro muitas vezes resulta de uma combinação de circunstâncias (um técnico que pede para você substituí-lo, um responsável de produção que o contrata para um cargo superior…). Mas também é uma questão de sorte, de relacionamentos e de implacabilidade.
Em média, leva de oito a dez anos para alcançar o nível mais alto, o tempo necessário para acumular experiência, know-how e conquistar a confiança e o reconhecimento dos pares.
6 — Como começar?
A única regra a lembrar é provocar encontros! No entanto, para um estágio ou emprego, a rede de contatos abre portas mais rapidamente.
Rede de contatos — Um parente ou amigo trabalha no cinema? Não hesite em pedir ajuda para encontrar uma vaga de estágio ou, melhor ainda, se você já tem experiência ou formação, como assistente. Não é o pequeno impulso que conta, mas o que você faz com isso. Se você se sair bem, nós o recomendamos; se você não corresponder, nós o esquecemos.
Formação — As escolas criam oportunidades concretas de contato com professores profissionais, estágios ou encomendas de filmes realizados na escola. Mas também é uma oportunidade de conhecer os profissionais de amanhã, pois os alunos das escolas são chamados a trabalhar juntos em projetos. Cada vez mais escolas também têm sua associação ou seu diretório de ex-alunos. Buscar começar com um ex-aluno pode ser um diferencial porque ele já sabe do que você é capaz.
O estágio — O galle é prima facie para conseguir um estágio. Você deve saber como fazer a força, mas sem exagerar. O cinema é um setor onde as pessoas trabalham com sentimentos. Entre em contato diretamente com um profissional da área que lhe interessa. Você encontrará seus contatos nos diretórios profissionais (Bellefaye, Diretório de Produtores…).
Ligue para as empresas de produção para saber se elas aceitam estagiários, em qual área e em quais condições. As grandes produções empregam muitos estagiários. O estagiário é o nível mais baixo. Independentemente da sua trajetória, você é empregado da mesma forma: pegar cafés, fazer de motorista, trocar a lâmpada queimada no camarim… Deixe seu ego de lado e esteja o mais disponível e eficiente possível. Se você ainda não tem ideias específicas sobre o cargo que deseja, o estágio também permite que você navegue por diferentes profissões e descubra qual delas se encaixa melhor em você.
O curta-metragem — Local de encontro e local de aprendizado — é sempre a melhor escola de todos os tempos. As equipes, compostas por profissionais potenciais, ainda assim exigirão que você conheça, no mínimo, o cargo que ocupa, especialmente nas funções técnicas. Você deve estar operacional, mas será perdoado por suas tentativas e erros. O pagamento é inexistente, mas você adquire uma experiência inestimável. Multiplique as oportunidades de filmar, faça-se notar (no bom sentido), um encontro indispensável.
O curta-metragem é o terreno fértil para os diretores. Eles estão sempre à procura de colaboradores competentes e confiáveis para projetos futuros e gostam de se cercar de profissionais que já conhecem quando lançam longas-metragens. Guarde uma fita dos curtas-metragens nos quais você trabalhou para contatar as produções de longas-metragens e mostrar do que você é capaz.
Anúncios classificados — Onde encontrar um emprego ou estágio? Na ANPE do espetáculo (há cerca de dez antenas nas grandes cidades provinciais), na imprensa profissional (Le Film français, Écran total, Le Technicien du film et de la vidéo…) ou no grande público, na Internet (www.cortex-culturemploi.com; www.cagec.com; www.irma.asso.fr; www.bale.fr; www.bellefaye.com/).
7 — Qual é o nível de formação requerido?
Sair da escola e ter concluído uma formação não é obrigatório neste setor, muitos aprenderam na prática. Cada um inventa seu percurso profissional de acordo com suas vontades: trabalhar imediatamente ou seguir estudos. No entanto, isso depende da ocupação pretendida. As profissões técnicas relacionadas à imagem e ao som exigem formação. Após um diploma, não há garantia de que você encontrará trabalho uma vez graduado, mas isso pode ajudar e também fazer você subir na hierarquia mais rapidamente (começando como segundo assistente em vez de terceiro ou estagiário). Se os novos graduados são tecnicamente operacionais, ainda precisam aprender todas as etapas seguintes da profissão: entender os desejos do diretor, avaliar os meios técnicos e artísticos a serem utilizados para alcançar seus objetivos, saber se comportar e se mover em um set, resistir à pressão do dinheiro e do tempo, às condições de trabalho, gerenciar os humores de cada um, conciliar vida profissional e vida pessoal…
8 — Quais são as oportunidades?
O volume de emprego diminuiu. O número de filmes de iniciativa francesa permanece estável (209 em 2012 e 2013), com um investimento em queda de -4,3% (contra 1,02 bilhão de euros em 2013 contra 1,065 bilhão de euros em 2012). A estimativa média de um filme é de 4,8 milhões de euros. 19 filmes franceses com mais de 10 milhões foram produzidos em 2013 (contra 33 filmes em 2012).
As filmagens são exportadas, especialmente para os países do Leste, onde a mão de obra local é mais barata. Os acordos de coprodução também preveem a divisão de tarefas entre os países coprodutores (por exemplo, a decoração para os franceses, o cabelo para os italianos, os trajes para os ingleses, etc.).
Trabalhar no exterior. Para aqueles que desejam trabalhar em outros países europeus, o mercado de trabalho não é melhor. Quanto aos Estados Unidos, os sindicatos se recusam a contratar estrangeiros a menos que eles tenham uma jurisdição que não encontram entre os americanos. No entanto, alguns espaços permanecem abertos para artistas franceses (animação na Disney, efeitos especiais na ILM). Muitos intermitentes compensam a falta de trabalho navegando de um setor para outro (cinema, televisão, teatro, videoclipes, comerciais, filmes institucionais, documentários, etc.).
9 — Existe ajuda?
Para aqueles que desejam criar sua própria empresa cinematográfica ou de produção, existem ajudas técnicas, financeiras ou criativas (para a escrita, antes da realização, após a realização, para curtas-metragens, para longas-metragens), bem como concursos e bolsas de estudo.
As prefeituras, os conselhos gerais ou regionais, as associações locais têm um orçamento destinado às atividades culturais e oferecem subsídios para projetos de menos de 25 anos.
Alternativamente, aqui estão algumas organizações que podem ajudá-lo:
ADAMI (Administração dos direitos dos artistas e músicos) — Ela gerencia os direitos dos artistas intérpretes ou executantes e destina uma parte dos royalties recebidos para apoiar a criação, a difusão e a formação • 14-16, rue Ballu, 75009 Paris, tel. 01.44.63.10.00.
Agência de curtas-metragens — Esta lei de associação de 1901 visa promover e divulgar curtas-metragens. A adesão é de 25€ por ano para administradores e 80€ para empresas e organizações (50% de desconto no primeiro ano) • 77, rue des Cévennes, 75015 Paris, tel. 01.44.69.26.60.
Associação Beaumarchais — Fundada pela SACD (Sociedade dos autores e compositores dramáticos), ajuda cerca de sessenta autores por ano (bolsas de escrita, bolsas de produção) • 11 bis, rue Ballu, 75009 Paris, tel. 01.40.23.45.46.
Emergence — Esta associação criada por Elisabeth Depardieu permite que jovens cineastas desenvolvam seu primeiro projeto de longa-metragem e filmem um modelo das duas cenas principais de seu futuro filme • 45, rue de Babylone, 75007 Paris, tel. 01.71.18.12.75.
Oficina de Roteiros — Organizada pela La Fémis, ela acompanha autores, diretores, profissionais do audiovisual e do entretenimento no desenvolvimento de seus roteiros de longa-metragem • 6, rue Francœur, 75018 Paris, tel. 01.53.41.21.12
CECI (Centro de Escritas Cinematográficas) — Desde 1998, apoia e supervisiona projetos cinematográficos de todos os tipos (curtas e longas-metragens, documentários, filmes de arte e ensaios sobre cinema) • 65, rue du Moulin, 27430 Andre, tel. 02.32.59.70.02.
CNC (Centro Nacional de Cinematografia) — Oferece ajuda financeira (ajuda seletiva, adiantamento sobre receitas, ajuda ao desenvolvimento, reescrita, coproduções, música de filme…) • 12, rue de Lübeck, 75016 Paris, tel. 01.44.34.40.
Fundação GAN para o cinema — Ajuda financeiramente jovens cineastas a realizarem seu primeiro filme • 4-8, cours Michelet, 92082 Paris La Défense cedex, tel. 01.70.94.25.16.
Fundação Hachette — Nascida em 1989, oferece anualmente uma bolsa de estudos para produtores de filmes, autores de filmes de animação, autores de documentários e roteiristas de televisão para jovens com menos de 30 anos (menos de 35 anos para roteiristas de televisão) que realizam um projeto inovador • 121, avenue Malakoff, 75016 Paris, tel. 01.40.69.18.73.
Fundação Marcel-Bleustein-Blanchet para a vocação — Ela apoia projetos para jovens de 18 a 30 anos em todas as áreas, incluindo curtas-metragens • 104, rue de Rennes, 75006 Paris, tel. 01.53.63.25.90.
Sodapin — O Grande Prêmio do melhor roteiro e o Prêmio Júnior do melhor roteiro (menos de 28 anos) recompensam anualmente prêmios • c/o Sopadin 47, rue de Babylone, 75007 Paris, tel. 01.47.05.00.15.
G.R.E.C. (Pesquisa e ) — Esta lei de associação 1901 ajuda na criação de primeiros curtas-metragens • 14, rue Alexandre Parodi, 75010 Paris, tel. 01.44.89.99.99.
A Casa do Filme Curto — Esta lei de associação 1901, ajuda na criação de curtas-metragens. Por uma contribuição de 60€ por ano, você pode se beneficiar de sua estrutura de acolhimento e aconselhamento. Você pode até fazer um curso de formação (redação de roteiro, edição) • 10, passage de Flanders, 75019 Paris, tel. 01.40.34.32.44.
Europa Criativa — Media França — Este programa da Comissão das Comunidades Europeias apoia o desenvolvimento de projetos audiovisuais com vocação europeia • 9, rue Ambroise Thomas, 75009 Paris, tel. 01.47.27.12.77.
Gindou Cinema — Esta associação organiza o Prêmio Claude Nougaro de escrita, que recompensa autores de uma obra inédita de ficção e roteiro de curtas-metragens (destinado a jovens de 15-25 anos residentes em Midi-Pyrénées). Também organiza em Aquitânia e Midi-Pyrénées para jovens de 12-18 anos o concurso de roteiro “O Gosto dos Outros”. • Le Bourg, 46250 Gindou, tel. 05.65.22.89.99.
Procirep — Concede ajuda financeira às empresas de produção (curtas-metragens, ficção televisiva, documentários) para investir na escrita e no desenvolvimento de projetos • 11 bis, rue Jean-Goujon, 75008 Paris, tel. 01.53.83.91.91.
10 — Onde se informar sobre o setor?
Contate organizações profissionais ou sociais gerais, como o CNC, ou ligadas a uma profissão (Associação francesa dos diretores de fotografia cinematográfica, ARP — Autores, diretores, produtores, etc.); prefeituras, conselhos gerais ou regionais (ajudas financeiras, anúncios de moldagens, etc.), associações, bibliotecas e cinematecas locais.
Leia a imprensa profissional e o grande público.
Tag: as profissões do audiovisual